Bom dia para quem já entendeu que os maiores riscos de um negócio raramente surgem do nada.
Eles costumam dar sinais. E muitos.
Nos últimos meses, o mercado acompanhou a liquidação do Banco Master.
O que chamou atenção não foi apenas o desfecho, mas o caminho até ele. Para o público, a sensação foi de surpresa. Para quem acompanhava os sinais, não. Documentos revelados mostram que, ainda em 2024, o Banco Central já monitorava problemas sérios de liquidez. Dívidas crescentes, pouco caixa e uma operação cada vez mais alavancada. O risco era conhecido. A aposta foi deixar o tempo resolver.
Não resolveu.
O que aconteceu ali não é sobre bancos. É sobre gestão. É sobre decisões adiadas. É sobre sinais ignorados enquanto o crescimento aparente cria a ilusão de que está tudo bem.
Na edição de hoje:
° O que a quebra do Banco Master revela sobre gestão falha
° Por que problemas ignorados sempre crescem
° Os alertas que servem para qualquer empresa
° Onde líderes costumam errar quando confiam demais no “depois a gente resolve”
O Master cresceu rápido. Muito rápido. Saltou de poucos bilhões em ativos para dezenas de bilhões em poucos anos. Por fora, parecia expansão. Por dentro, a estrutura não acompanhava o ritmo. Liquidez apertada, riscos concentrados e uma dependência excessiva de soluções futuras que nunca chegaram.
Esse roteiro é mais comum do que parece no mundo empresarial.
Quando tudo está crescendo, é fácil empurrar ajustes estruturais para frente. O caixa aperta, mas o faturamento sobe. A operação dá sinais de desgaste, mas o volume compensa. A governança fica frágil, mas o crescimento anestesia a urgência.
Até que o tempo cobra.
A quebra ensina lições que aparecem o tempo todo nas empresas, em escalas diferentes, mas com a mesma lógica.
Primeiro: problemas ignorados não ficam estáveis. Eles crescem. Liquidez ruim, caixa desorganizado, processos frágeis, riscos concentrados. Nada disso se mantém no mesmo lugar. Ou melhora com ação, ou piora com o tempo.
Segundo: apostar em uma solução futura sem ajustar o presente é perigoso. A ideia de “quando entrar aquele dinheiro tudo se resolve” quase sempre custa mais caro do que enfrentar o problema enquanto ele ainda é controlável.
Terceiro: crescimento pode esconder fragilidade estrutural. Crescer rápido não é prova de saúde. Muitas vezes, é só alavancagem mal sustentada. Volume sem estrutura cria velocidade, não solidez.
Quarto: quando a correção demora, o custo deixa de ser estratégico e vira emergencial. No início, ajustes são decisões de gestão. Depois, viram decisões de sobrevivência. No fim, deixam de ser escolhas e passam a ser impostos de fora para dentro.
E talvez a lição mais dura: quem decide tarde perde o direito de decidir como. Quando o tempo acaba, alguém decide por você. Regulador, mercado, credor ou crise.
Toda crise avisa antes. O problema é que os alertas costumam ser silenciosos, desconfortáveis e fáceis de adiar. Eles aparecem em números que não fecham tão bem, em decisões que vão sendo empurradas, em riscos que ninguém quer assumir agora.
Empresas que atravessam ciclos longos não são as que nunca erram. São as que escutam os sinais cedo e têm coragem de ajustar antes que o ajuste seja imposto.
No fim, gestão não é evitar crises. É reconhecer os avisos enquanto ainda existe margem de escolha.
Até a próxima semana 👋
By Kaline Marchiori