Bom dia para quem já sentiu isso no caixa, mesmo sem saber explicar exatamente por quê.
Quem acompanhou a semana e percebeu um movimento curioso:
empresas grandes anunciando cortes, revisões de operação e mudanças de rota, mesmo sem estarem em crise.
Não foi um caso isolado.
Não foi um setor só.
E não foi falta de demanda.
Foi custo.
Nos últimos dias, vimos decisões sendo revistas, investimentos sendo adiados e estruturas sendo enxugadas não porque os negócios deixaram de funcionar, mas porque ficaram caros demais de sustentar.
E isso diz muito sobre o momento do país.
Na edição de hoje:
° O que realmente é o “Custo Brasil” em 2026 (além do imposto)
° Por que ele pressiona margem mesmo quando o faturamento cresce
° Onde o empresário está pagando sem perceber
° O que empresas mais organizadas já estão ajustando para operar com folga
Vamos lá?
Durante muito tempo, “Custo Brasil” virou uma expressão meio genérica. Parecia que era só uma soma de impostos altos e burocracia. Mas em 2026 ele virou uma coisa mais concreta e mais perigosa: ele virou o custo de sustentar complexidade.
É a complexidade tributária, claro, mas não só ela. É a complexidade trabalhista que exige processos bem amarrados para não virar passivo. É a complexidade regulatória que muda de setor para setor, de município para município. É a complexidade operacional de fazer o básico acontecer todos os dias, sem que a empresa dependa de heróis. É a complexidade financeira de operar com capital mais seletivo, clientes mais exigentes e ciclos de recebimento que nem sempre acompanham os custos.
O imposto é um pedaço da conta. O resto é o atrito.
Custo Brasil é o que você paga quando precisa colocar três pessoas para resolver o que deveria ser um processo simples. É o que você paga quando o retrabalho vira rotina e ninguém chama de retrabalho porque “sempre foi assim”. É o que você paga quando a empresa cresce e, em vez de ficar mais eficiente, fica mais dependente de gente específica. É o que você paga quando o caixa vive tenso não porque a operação é ruim, mas porque a empresa está carregando um jeito caro de funcionar.
E tem um detalhe que muita gente só percebe tarde: o Custo Brasil não aparece como uma linha única no DRE. Ele aparece espalhado.
Aparece em horas improdutivas, em perda de tempo decisório, em multas pequenas que viram normal, em consultorias reativas para apagar incêndio, em juros do capital de giro, em erros de classificação, em crédito que não é aproveitado, em estoque mal girado, em ruptura de produto, em processos “manuais” que drenam energia da liderança. Ele aparece no famoso “não sei por que o lucro não vem”, mesmo com venda e trabalho.
A reforma tributária entra nesse cenário como um divisor de águas, porque ela tende a reduzir algumas distorções no longo prazo, mas no curto e médio prazo ela exige maturidade: mais controle, mais rastreabilidade, mais método, mais qualidade de informação. E aqui está o ponto: quando o ambiente exige mais método, as empresas que estavam de pé por improviso começam a sentir.
Por isso, o Brasil não está inviável. Ele está seletivo.
Empresas organizadas vão operar com vantagem. Empresas desorganizadas vão pagar mais caro, não só em imposto, mas em tempo, energia, caixa e margem. O jogo vai premiar previsibilidade, clareza e processo bem desenhado. Porque operar “no braço” virou um luxo caro demais.
E aí entra a pergunta que vale ouro para este início de ano: quanto custa manter a empresa exatamente como ela está hoje? Quanto custa manter o mesmo nível de retrabalho, o mesmo jeito de decidir, o mesmo nível de dependência de pessoas-chave, o mesmo padrão de controle, o mesmo modelo de formação de preço, o mesmo fluxo de caixa apertado por hábito?
Em muitos negócios, o maior risco de 2026 não é mudar. É insistir no mesmo modelo de operação e esperar um resultado diferente.
Até a próxima semana 👋
By Kaline Marchiori