Calma que eu explico. Bom dia!

Na edição de hoje:

° O verdadeiro custo da complexidade tributária
° Como a Reforma pode mudar o eixo da produtividade
° O novo papel da contabilidade no crescimento empresarial

Vamos lá?

Como de costume, o Estado cria dificuldade para vender facilidade. Mas, desta vez, a mudança pode ser estrutural.

A predominância de contadores sobre engenheiros nas empresas brasileiras nunca foi uma escolha cultural. Foi uma imposição do sistema.

O Brasil opera há décadas sob um modelo tributário tão complexo que obriga empresas a direcionarem energia intelectual para decifrar regras, não para criar valor. É o que muitos chamam de Custo Brasil. Um sistema que consome algo próximo de R$ 1,7 trilhão por ano entre burocracia, contencioso e ineficiência.

Criamos, na prática, um imposto sobre a inteligência.

Empresas montaram estruturas robustas para interpretar normas, defender-se de autuações e sobreviver à insegurança jurídica. Não porque quiseram. Porque precisaram.

Não se trata de desvalorizar a contabilidade. Muito pelo contrário.

O problema nunca foi o contador.

Foi o ambiente que o obrigou a atuar como intérprete de um labirinto.

A Reforma Tributária, com o IVA Dual e a digitalização completa do sistema, pode alterar esse eixo. Não apenas simplificando tributos, mas reorganizando incentivos.

Menos cumulatividade.
Menos guerra fiscal.
Menos judicialização.
Mais previsibilidade.

E previsibilidade muda comportamento econômico.

Quando a regra é clara, o capital flui com menos fricção. Quando o risco jurídico diminui, o investimento aumenta. Quando a conformidade se automatiza, a inteligência se desloca para estratégia.

Isso não significa menos contadores.

Significa contadores mais estratégicos.

O profissional que antes gastava energia decifrando normas passa a atuar como arquiteto financeiro. Modelando estruturas, analisando alocação de capital, desenhando eficiência operacional e apoiando decisões de longo prazo.

É uma mudança de papel.

De intérprete defensivo para estrategista ofensivo.

Se isso acontecer de forma consistente, o impacto vai além da área fiscal. Recursos e talentos podem ser redirecionados para pesquisa, desenvolvimento, tecnologia e expansão produtiva.

A reforma, por si só, não cria prosperidade.

Mas pode reduzir fricções que hoje drenam produtividade.

Ao diminuir a judicialização e organizar a arrecadação em um modelo mais transparente, cria-se ambiente de maior segurança jurídica e eficiência econômica. O foco deixa de ser sobreviver ao sistema e passa a ser competir.

Países que simplificaram seus modelos tributários observaram aumento de investimento, melhor alocação de capital e maior competitividade.

Não é discurso. É estrutura.

Talvez o melhor esteja por vir.

Não porque o Estado se tornou mais generoso.

Mas porque, se a complexidade diminuir, a energia empresarial pode finalmente migrar da conformidade para a inovação.

E é nisso que acreditamos.

A pergunta estratégica é simples:

Se o ambiente ficar mais eficiente, sua empresa está preparada para competir ou apenas para cumprir regra?

Até a próxima semana 👋

 By Kaline Marchiori

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