2026 chegou para o agronegócio.

Bom dia para quem vive do campo e sabe que previsibilidade é tão valiosa
quanto chuva na hora certa.

Na edição de hoje:

° O que realmente muda no IRPF para produtores rurais e como isso afeta o bolso em 2026
° Como proteger o patrimônio da família rural diante das novas regras de sucessão e transmissão
° O que fazer agora para entrar no novo sistema tributário com segurança, sem risco e sem surpresa

Vamos lá?

Estamos entrando no primeiro ciclo real da Reforma Tributária uma das maiores mudanças estruturais dos últimos 50 anos e, pela primeira vez, o impacto bate direto na porteira do produtor rural.
Não como teoria.
Mas como custo, como fluxo de caixa, como sucessão e como futuro.

E no agro, quando o cenário muda, tudo muda: o preço da saca, o custo do insumo, o apetite da indústria, a capacidade de investimento, a saúde financeira da família.

O que antes era “assunto de escritório” virou assunto de fazenda.

A promessa da Reforma era simplificação.
A realidade é outra: o sistema ficará mais complexo antes de ficar mais simples. E nesse meio-tempo, o produtor que não se organizar vai sentir primeiro e sentir forte.

Vamos aos pontos centrais:

  1. O Imposto de Renda vai pesar mais no bolso de quem tem renda maior

Produtores que, somados, ultrapassarem R$ 600 mil por ano em rendimentos terão tributação complementar.
Isso significa que quem já paga 27,5% poderá pagar até 10% a mais.

É a primeira vez que o produtor rural entra diretamente no radar da tributação de alta renda.

Não é o fim do mundo.
Mas é o fim da espontaneidade.

Quem vende terras, recebe arrendamento, faz reorganização familiar ou tem receita expressiva na PF agora precisa planejar, não improvisar.

  1. A tributação sobre consumo vai tornar o agro mais caro e mais controlado

ICMS, PIS, Cofins e ISS deixarão de existir e serão substituídos por IBS e CBS.
Na prática, isso significa:

  • o insumo fica mais caro
  • o custo de produção sobe
  • o fluxo de caixa aperta
  • e o crédito só volta na hora da venda

É o ponto mais sensível do agro: o produtor paga imposto no começo do ciclo e só recupera no final.

E ciclo, no campo, não é de 30 dias.
É de safra.

Nesse intervalo, o dinheiro fica parado.
E quem depende de capital de giro, quase todo produtor vai sentir.

  1. A sucessão e o patrimônio familiar ficaram mais caros

O ITCMD passa a ter alíquotas progressivas entre 8% e 16%.
Hoje, muitos estados cobram metade disso.

Traduzindo:

Uma fazenda de R$ 6 milhões:

  • com alíquota atual de 4% → R$ 240 mil
  • com alíquota nova mínima de 8% → R$ 480 mil
  • com alíquota máxima de 16% → R$ 960 mil

Ou seja: a passagem de bastão ficou mais cara.
E sucessão mal planejada pode consumir uma parte do patrimônio familiar justamente no momento mais sensível da história de qualquer fazenda.

O produtor rural não precisa saber da lei, mas precisa saber o que a lei FAZ com seu negócio.

E o que ela faz é claro:

  • aperta o fluxo de caixa
  • exige mais organização
  • aumenta a carga em vários pontos
  • e obriga a rever estruturas antigas

Não é sobre aprender tributo.
É sobre não perder dinheiro por falta de estratégia.

O que produtores já estão fazendo (e funciona):

  • revendo se é melhor operar na PF ou abrir CNPJ
    • organizando a emissão e documentação desde já
    • preparando a família para sucessão com regras claras
    • fazendo diagnóstico tributário antes da virada
    • ajustando o fluxo de caixa para o novo ciclo do imposto

O que todos têm em comum?
Ninguém está esperando 2026 chegar para “ver no que dá”.

A pergunta estratégica que fica é simples, mas decisiva:

Você está gerindo a fazenda pensando na safra… ou pensando na continuidade?

Como dizia Jim Collins:

“Grandes resultados vêm de disciplina consistente, não de sorte.”

E no agro, disciplina é planejamento.
E planejamento é proteção.
Porque quem se antecipa colhe antes.
E colhe melhor.

Até a próxima semana 👋

By Kaline Marchiori

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